Consumidores 23.06.08
COMPRE O NECESSÁRIO
Temos observado os insistentes anúncios de retorno da temida inflação, e da forma como vem sendo propalada parece inevitável que o descontrole dos preços volte a corroer o rendimento das pessoas.
Pessoalmente acho exagerada a divulgação, penso até que propositada. O temor da população tem desdobramentos em todas as áreas: política, mercado, e acaba interferindo diretamente no comportamento dos cidadãos.
O preço dos alimentos, motivados pelos aumentos reais, pelo medo das pessoas e até por oportunismo de fornecedores, passam a acumular variações, algumas discretas, outras importantes, mas todos seguem aumentando mês a mês.
Claro que inflação não se mede exclusivamente pela variação de preços dos alimentos, mas seguramente é o que mais interessa a maioria da população, sobretudo dos que tem menor renda.
Estocar alimentos e comprar sem necessidade para evitar os eventuais aumentos de preços em nada contribui para o combate a inflação, ao contrário, quando compramos com este propósito desequilibramos o consumo estimulando a cadeia de fornecedores (fabricantes e comerciantes) a aumentar preços, reação natural de mercado quando a procura é maior que a oferta.
Em Aracaju, capital do pequeno Sergipe, independente do trabalho de pesquisa de preços realizados pelos Institutos que calculam e divulgam os índices de mercado, entre eles a inflação de cada período, um monitoramento de preços vem facilitando a vida das pessoas.
A iniciativa da deputada estadual Conceição Vieira consiste em visitar três supermercados do grande número de estabelecimentos da cidade e coletar o menor preço de gôndola para 25 itens todo quinto dia útil de cada mês. Assim os consumidores que acessam a pesquisa tem uma idéia real da tendência de preços e em qual supermercado entre os pesquisados é possível comprar o conjunto de produtos com o menor custo final.
Este trabalho oferecido à população demonstra alguns dados interessantes: é possível economizar até 25% dando preferência aos melhores preços; comprar em supermercados de grandes redes não quer dizer economia certa, é perceptível que os supermercados de bairro, sempre que são pesquisados, apresentam bons preços e em muitos casos, menores que os das grandes redes, sobretudo no valor total das compras. Para os aracajuanos que quiserem utilizar a pesquisa como referência na hora das compras, acesse www.conceicao.vieira.nom.br .
Mas a pratica de pesquisar preços em pelo menos três supermercados para comprar melhor, isoladamente, não é suficiente. Outras posturas devem ser consideradas pelo consumidor, por exemplo: resistir as “ofertas anunciadas”, até porque nem sempre o anunciado como vantagem de fato é bom, verificar os prazos de validade e a real necessidade de consumo do produto.
Não podemos nos esquecer que um dos motivadores de inflação é exatamente procura acima da oferta, se aquele item em “oferta” não será consumido necessariamente, deixe-o na prateleira.
As frutas, hortaliças e legumes indiscutivelmente se mostram mais baratos nas feiras livres e varejões do que nos supermercados. Muitas vezes preferimos as gôndolas dos supermercados devido à praticidade e pagamos muito mais por isso colaborando para a manutenção dos preços altos. Certamente vamos contribuir para o controle da inflação se evitarmos consumo desnecessário e valorizarmos cada centavo de nossos salários.
Sydnei Ulisses de Melo é consultor das relações de consumo – sydneiconsultor@gmail.com – www.sydneiconsultor.zip.net .




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Escrito por Sydnei às 18h30